O Brasil terá a maior tarifa aplicada pelos Estados Unidos entre os países da América do Sul. A medida deverá entrar em vigor na próxima quarta-feira (22). A imposição da tarifa foi aprovada pelo presidente norte-americano Donald Trump na última quarta-feira (15).
Quando a nova tarifa entrar em vigor, a taxa efetiva média aplicada ao país subirá para 18,17%. Atualmente, Brasil e Uruguai apresentam a mesma tarifa, de 11,66%. O índice é inferior apenas ao do Paraguai, que alcança 12,92%, segundo Global Trade Alert (GTA), centro de estudos que faz a união de estatísticas do comércio global.
O percentual calculado pelo GTA é diferente da alíquota de 25% anunciada por Trump, pois leva em conta a participação de cada produto na pauta de exportações, além das exceções previstas pelas novas regras.
Por que o Brasil?
A tarifa aplicada ao Brasil faz parte de uma mudança na política comercial de Trump. Em vez de priorizar o livre comércio, a estratégia busca proteger a indústria dos Estados Unidos, principalmente os setores mais afetados pela perda de fábricas e empregos, além de dar mais importância a interesses e alianças políticas do que às práticas diplomáticas tradicionais.
Também está em jogo a disputa por influência global entre Estados Unidos e China. Nesse cenário, o Brasil ocupa uma posição estratégica, pois mantém uma relação comercial importante com os chineses e, ao mesmo tempo, continua sendo um parceiro relevante dos Estados Unidos.
O país norte-americano acompanha de perto movimentos que possam representar uma ameaça à sua posição de liderança no cenário internacional, incluindo a predominância do dólar nas negociações globais. Um exemplo é a discussão dentro do Brics sobre a criação de uma moeda própria para o grupo de 11 países.
Um dos argumentos apresentados pelos Estados Unidos envolve o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o Pix. Segundo a justificativa norte-americana, o modelo poderia prejudicar empresas dos EUA que atuam no setor de pagamentos, ao gerar uma concorrência.
Posição do Brasil
Segundo a agência do governo, o Brasil manteve o diálogo aberto com as autoridades dos Estados Unidos desde o início das investigações que levaram à imposição da tarifa ao país. ” mesmo não reconhecendo a legitimidade desse instrumento sem amparo nas regras multilaterais de comércio. Desde julho de 2025, foram mais de 30 reuniões entre as duas partes. Não há qualquer justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país”, declara a nota.
Já Lula, afirmou em uma postagem em sua conta no X, antigo Twitter, que o governo está do lado do povo brasileiro. Com isso, ele falou em proteger os empregos no país.
Histórico
Confirmado nesta quarta-feira (15), o novo aumento de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros prevê uma cobrança extra de 25% sobre milhares de mercadorias exportadas pelo Brasil. A medida começa a valer em 22 de julho.
O anúncio foi feito pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Segundo o órgão, a decisão está relacionada a práticas brasileiras que, na avaliação do governo americano, prejudicam o comércio entre os dois países.
Segundo os Estados Unidos, houve tentativas de negociar mudanças ao longo do último ano. Mesmo com a aplicação da tarifa, o governo norte-americano afirmou que permanece aberto ao diálogo e a novas conversas .
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