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Desmame precoce: erros comuns na amamentação podem levar mães a desistir

Dor, fissuras e dúvidas sobre o leite estão entre os principais desafios enfrentados pelas mães
Desmame precoce: erros comuns na amamentação podem levar mães a desistir. Foto: Canva

O desmame precoce nem sempre acontece porque a mãe produz pouco leite. Dor, fissuras, pega incorreta e insegurança sobre a alimentação do bebê podem levar à interrupção da amamentação antes do período recomendado.

O assunto ganha destaque durante o Agosto Dourado, mês dedicado à conscientização sobre o aleitamento materno. No Brasil, agosto foi instituído como Mês do Aleitamento Materno pela Lei nº 13.435/2017. Já a Semana Mundial do Aleitamento Materno ocorre entre os dias 1º e 7 de agosto.

A Organização Mundial da Saúde recomenda amamentação exclusiva nos primeiros seis meses. Depois desse período, outros alimentos devem entrar na rotina da criança, mas o aleitamento pode continuar até os dois anos ou mais.

Por que o desmame precoce acontece?

Para a enfermeira obstetra e especialista em aleitamento materno Letícia Lamberti, coordenadora da Maternidade do Hospital Santa Isabel, muitas mulheres chegam ao pós-parto sem informações suficientes sobre os desafios da amamentação.

Segundo ela, é comum que as gestantes se preparem para o parto, mas tenham pouco contato com orientações sobre pega, posições para amamentar e mudanças esperadas nos primeiros dias.

“O que mais observo ainda na maternidade é o desconhecimento dessas mães sobre o que irão passar quando chegarem em casa, o que é esperado acontecer, além de dicas de pega correta e posições para amamentar. O desmame precoce é consequência disso”, afirma.

Entre as principais dúvidas estão a sensação de pouco leite, a frequência das mamadas e o aparecimento de fissuras ou desconforto.

“A amamentação, muitas vezes, é mais desafiadora do que o próprio parto. É nesse momento que começam a aparecer a incerteza e a culpa. Muitas mães se perguntam se o leite está sustentando o bebê ou por que ele mama toda hora, quando, na verdade, esse comportamento é esperado”, explica Letícia.

Amamentar deve doer?

Dor persistente não deve ser considerada uma parte normal da amamentação. O Ministério da Saúde orienta que desconfortos e machucados podem indicar problemas na posição ou na pega do bebê.

Uma boa pega acontece quando o bebê fica de frente para a mãe, próximo ao corpo e bem apoiado. A boca deve estar bem aberta, com os lábios virados para fora e o queixo encostado na mama.

O nariz permanece livre e uma porção maior da aréola costuma ficar visível acima da boca do bebê do que abaixo.

Quando há dor intensa, fissuras ou dificuldade para o bebê mamar, a orientação é buscar profissionais capacitados, unidades de saúde ou bancos de leite humano.

Leite materno mata a sede do bebê?

Sim. Nos primeiros seis meses, quando o aleitamento é exclusivo, o leite materno fornece também a hidratação necessária ao bebê.

Por isso, o Ministério da Saúde orienta que não é preciso oferecer água, chás, sucos ou outros alimentos nesse período.

A frequência das mamadas também pode variar. Cada bebê possui seu próprio ritmo, e pedidos frequentes pelo peito não significam necessariamente que a produção de leite seja insuficiente.

Quais são os benefícios da amamentação?

O leite materno reúne nutrientes importantes para o desenvolvimento e anticorpos que ajudam na proteção contra diferentes doenças e infecções.

Entre os benefícios para a criança estão a redução do risco de diarreias, infecções respiratórias e alergias. O aleitamento também está associado à redução de riscos futuros relacionados à obesidade, hipertensão e diabetes.

Para a mulher, a amamentação também pode trazer benefícios para a saúde, além de contribuir para o vínculo entre mãe e bebê.

Rede de apoio pode ajudar a evitar o desmame precoce

A responsabilidade pela amamentação não precisa ficar apenas com a mãe. Familiares, companheiros e pessoas próximas podem ajudar a criar uma rotina mais tranquila durante o pós-parto.

Dividir tarefas domésticas, acompanhar consultas, ajudar nos cuidados com o bebê e oferecer apoio emocional são formas de reduzir a sobrecarga.

O suporte profissional também faz diferença. Dificuldades como fissuras, mamas endurecidas, dor persistente e problemas na pega podem receber acompanhamento em maternidades, Unidades Básicas de Saúde e bancos de leite humano.

Para Letícia, informação e acolhimento são fundamentais para que uma dificuldade inicial não termine em desmame precoce.

“Amamentar é um processo de aprendizado para mãe e bebê. Quando a mulher recebe informação, acolhimento e acompanhamento desde o início da gestação até o pós-parto, as dificuldades deixam de ser motivo para desistir precocemente e passam a ser etapas que podem ser vencidas com segurança”, conclui.


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Autor

  • Bruna Santos

    Jornalista e redatora com experiência em produção de conteúdo digital. Atuou em portais de notícia, rádio e agências, escrevendo para áreas como finanças, saúde, direito e bem-estar. Pós-graduada em Comunicação e Marketing, se especializou em produção de conteúdo informativo para sites.

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