“Acha que segunda já tenho que estar fora?”, escreveu o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em 15 de novembro de 2025, para o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
As mensagens atribuídas pela Polícia Federal (PF) ao ex-controlador do Banco Master foram obtidas e divulgadas pelo Estadão nesta terça-feira (1º). Os registros indicam que os dois discutiam o avanço das investigações da Operação Compliance Zero.
Nas mensagens, Vorcaro demonstrava preocupação com o risco de prisão e a necessidade de sair do País. Dois dias após o envio do texto, a PF o prendeu no Aeroporto Internacional de São Paulo enquanto tentava embarcar para Dubai.
Um dia antes da prisão, ele voltou a questionar o interlocutor: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”.
Devido ao uso do recurso de visualização única (com capturas de tela de textos escritos no aplicativo de notas do celular), não é possível confirmar se o ministro respondeu às mensagens.
Relação profissional e contrato de consultoria
As revelações ocorrem em meio aos desdobramentos sobre a relação entre o empresário e a família do ministro. Em março, o escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, informou em nota que prestava “ampla consultoria e atuação jurídica” ao Banco Master.
O contrato esteve vigente entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025.
Na época da divulgação das primeiras suspeitas, o Supremo Tribunal Federal manifestou-se sobre o caso. Em nota oficial emitida pela Secretaria de Comunicação da Corte, informou-se que uma análise técnica nos dados telemáticos do celular de Vorcaro não identificou mensagens associadas ao contato do ministro.
O texto do STF ressaltou que as mensagens de visualização única enviadas pelo empresário em 17 de novembro de 2025 não divergiam dos registros do aparelho, não havendo comprovação de envio ou recebimento por parte de Moraes.
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