A menopausa precoce pode chegar antes dos 45 anos e trazer sintomas que muitas mulheres não associam às mudanças hormonais. Menstruação irregular, ondas de calor e dificuldades para dormir estão entre os sinais de alerta.
Neste domingo (18), Dia Mundial da Menopausa, a data chama a atenção para a importância de reconhecer essas mudanças e buscar acompanhamento médico, principalmente quando aparecem antes da idade esperada.
Embora a menopausa costume acontecer por volta dos 50 anos, algumas mulheres passam por essa fase mais cedo. Além dos sintomas, a antecipação pode trazer consequências para a saúde dos ossos, do coração e para a fertilidade.
Por que a menopausa precoce acontece?
A menopausa precoce ocorre entre os 40 e 44 anos, quando os ovários deixam de funcionar antes do período habitual. Já a perda da função ovariana antes dos 40 anos é chamada de insuficiência ovariana prematura (IOP).
Segundo a endocrinologista Fernanda Parra, diferentes fatores podem contribuir para essa antecipação, incluindo características genéticas, histórico familiar, doenças e tratamentos médicos.
Entre as possíveis causas e fatores associados estão:
- Histórico familiar: mulheres com parentes que tiveram menopausa antecipada podem apresentar maior predisposição;
- Alterações genéticas: algumas condições podem comprometer o funcionamento dos ovários;
- Doenças autoimunes: o sistema imunológico pode afetar a função ovariana;
- Tabagismo: o cigarro está associado à antecipação da menopausa;
- Tratamentos médicos: quimioterapia, radioterapia e cirurgias para retirada dos ovários podem provocar a interrupção da função ovariana.
A médica explica que nem sempre é possível identificar uma única causa. Por isso, mudanças persistentes no ciclo menstrual precisam de investigação.
“É importante investigar o que está acontecendo em vez de atribuir automaticamente os sintomas ao estresse ou a outras causas”, orienta Fernanda.

Quais são os primeiros sintomas da menopausa precoce?
Os primeiros sintomas da menopausa precoce podem surgir de maneira discreta. Em muitos casos, a mulher percebe mudanças na menstruação antes de apresentar outros sinais.
Os sintomas mais comuns incluem:
- Menstruação irregular ou ausência de ciclos menstruais;
- Ondas de calor e suor noturno;
- Dificuldade para dormir;
- Mudanças de humor e irritabilidade;
- Diminuição do desejo sexual;
- Ressecamento vaginal;
- Dores de cabeça e cansaço.
Fernanda Parra alerta que esses sinais podem passar despercebidos, especialmente entre mulheres mais jovens.
“Nem sempre a mulher percebe que está entrando em uma alteração da função ovariana”, afirma.
A endocrinologista destaca que os sintomas variam de pessoa para pessoa. Algumas mulheres apresentam manifestações intensas, enquanto outras percebem poucas mudanças.
Menopausa antes dos 45 anos pode trazer riscos à saúde?
A menopausa antecipada pode aumentar o risco de problemas de saúde a longo prazo. Isso acontece porque a redução do estrogênio, hormônio importante para diferentes funções do organismo, começa mais cedo.
Entre as principais preocupações estão a osteoporose, que enfraquece os ossos, e o aumento do risco de doenças cardiovasculares.
Também podem ocorrer alterações no metabolismo, na saúde sexual e no bem-estar emocional.
“Não se trata apenas de controlar ondas de calor ou regular a menstruação. É preciso entender a causa, avaliar os impactos da deficiência hormonal e discutir estratégias de cuidado”, ressalta Fernanda.
Um estudo publicado na revista científica BMJ Global Health, com dados de mais de 716 mil mulheres de 44 países, estimou que 7,1% apresentavam menopausa prematura ou precoce.
Como saber se estou entrando na menopausa precoce?
O diagnóstico exige avaliação médica e não depende apenas dos sintomas. O profissional considera a idade, o histórico menstrual e, quando necessário, solicita exames de sangue para avaliar os hormônios.
Na menopausa natural, a confirmação costuma ocorrer após 12 meses consecutivos sem menstruar, desde que não exista outra causa para a ausência da menstruação.
Já em mulheres com menos de 40 anos, a investigação da insuficiência ovariana prematura pode considerar alterações menstruais por pelo menos quatro meses e níveis elevados do hormônio FSH.
Segundo Fernanda Parra, não é necessário esperar a menstruação desaparecer completamente para procurar atendimento.
“Quanto mais cedo identificamos uma alteração da função ovariana, maior é a possibilidade de investigar sua origem e planejar o acompanhamento de maneira individualizada”, explica.
O tratamento depende de cada caso e pode incluir terapia hormonal, quando indicada, além de cuidados com a alimentação, atividade física e acompanhamento da saúde óssea e cardiovascular.
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