O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da equipe de fiscalização da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE-SP), realizou uma auditoria após o acidente aéreo em agosto de 2024, envolvendo um avião da empresa Voepass/Passaredo. O acidente causou a morte das 62 pessoas a bordo, incluindo os quatro tripulantes, comandante, copiloto e duas comissárias de voo, e foi considerado um acidente de trabalho grave, que exige análise imediata e completa.
O relatório da auditoria, divulgado nesta terça-feira (16), analisou as escalas de trabalho do comandante e do copiloto desde maio de 2024 até a data do acidente. Foram verificados até os registros de check-in e check-out em hotéis, a fim de confirmar os períodos de descanso. O objetivo era entender se a fadiga poderia ter sido um dos fatores que contribuíram para a queda da aeronave.
A conclusão foi que a empresa montou escalas que reduziram o tempo de descanso da tripulação, o que pode ter causado cansaço em um nível capaz de prejudicar a concentração e o tempo de reação dos profissionais. Esse fator, somado a outras possíveis causas, pode ter contribuído para o acidente com o voo 2283.
Entre os principais problemas encontrados estão:
- Falta de controle efetivo da jornada da tripulação;
- Descumprimento da Lei dos Aeronautas, quanto aos limites de jornada e períodos mínimos de descanso;
- Violação de cláusula da Convenção Coletiva voltada à prevenção da fadiga.
Por essas irregularidades, a empresa recebeu 10 autos de infração, que podem gerar multas de cerca de R$ 730 mil. Além disso, foi notificada por não recolher mais de R$ 1 milhão em FGTS de seus empregados.
O relatório também cita estudos científicos que sugerem medidas que poderiam ser adotadas pela empresa para diminuir o risco de fadiga e, assim, evitar novos acidentes aéreos.
Acidente com aeronave da Voepass em Vinhedo
Voo e aeronave
O voo 2283 da Voepass (através da antiga Passaredo), operado por um ATR‑72‑500 (prefixo PS‑VPB), decolou de Cascavel (PR) com destino a Guarulhos (SP). Estava a bordo 62 pessoas — 58 passageiros e 4 tripulantes.
Queda e número de vítimas
A aeronave perdeu contato com o radar às 13h21, entrou em queda controlada (vertical/spin) e bateu em área residencial de Vinhedo (SP). Todos os ocupantes morreram. A tragédia deixou 62 mortos, sendo o mais grave acidente aéreo no Brasil desde 2007.
Causas em investigação
O Cenipa localizou as caixas‑pretas e divulgou relatório preliminar indicando formação de gelo nas asas e dificuldades no sistema de degelo. Registros de alarme de estol, vibrações e falhas no pack do motor esquerdo foram relatados, embora tecnicamente não impedissem o voo. A Polícia Federal também investiga em paralelo as condições da aeronave, documentação e possíveis falhas operacionais.
Vítimas e repercussão
Entre os mortos estavam médicos que se dirigiam a um congresso, professores universitários, crianças, passageiros com dupla cidadania (venezuelana e portuguesa). A queda gerou grande comoção — houve luto nacional por três dias, com homenagens do presidente Lula e do Papa Francisco