O calor intenso, a aglomeração de pessoas e o consumo excessivo de álcool fazem do Carnaval um período que exige atenção redobrada com a saúde. Durante a maratona de blocos e festas, situações simples podem evoluir para quadros mais graves se alguns cuidados básicos forem ignorados.
Desidratação, insolação, infecções gastrointestinais e ISTs estão entre os principais problemas registrados nessa época do ano. Por isso, especialistas reforçam que pequenas atitudes ao longo do dia ajudam a evitar sustos e garantem uma folia mais segura.
Hidratação evita desidratação, queda de pressão e insolação
Com o calor intenso e longos períodos de esforço físico, a hidratação se torna um dos principais cuidados durante o Carnaval. O médico clínico geral Dr. Carlos Lacerda explica que a perda de líquidos acontece de forma acelerada nessa época.
“A exposição ao calor, o aumento da transpiração e, muitas vezes, a ingestão inadequada de líquidos favorecem a perda significativa de água e eletrólitos”, afirma.
Segundo ele, a desidratação compromete o controle da temperatura corporal e aumenta o risco de mal-estar, queda de pressão, exaustão pelo calor e insolação.
Entre os sinais de alerta estão sede intensa, boca seca, urina escura, cansaço, tontura e dor de cabeça. “À medida que a desidratação se agrava, podem surgir fraqueza, confusão mental, palpitações e sensação de desmaio”, alerta o médico.
O consumo de álcool também exige atenção. “O álcool tem efeito diurético, favorece ainda mais a desidratação e prejudica a percepção de sede”, explica. A orientação é intercalar bebidas alcoólicas com água e evitar exposição prolongada ao sol.
Protetor solar e roupas leves reduzem riscos do calor

A exposição prolongada ao sol é um dos principais fatores de risco durante o Carnaval, especialmente em blocos de rua e eventos ao ar livre. O uso de protetor solar com FPS acima de 30 é essencial para prevenir queimaduras, insolação e outros problemas causados pela radiação solar.
A recomendação é aplicar o produto antes de sair de casa e reaplicar a cada duas horas, ou após suor excessivo. Áreas como rosto, ombros, nuca e braços costumam ser as mais expostas e não devem ser esquecidas durante a proteção.
Roupas leves, tecidos claros e fantasias confortáveis ajudam a manter a temperatura corporal mais estável e reduzem o desconforto térmico ao longo do dia. Chapéus e óculos escuros também contribuem para a proteção contra o sol.
Calçados adequados, com boa sustentação, ajudam a prevenir quedas, torções e lesões, comuns em meio às multidões e em pisos irregulares. O cuidado com a vestimenta é parte importante para aproveitar a folia com mais segurança e bem-estar.
Quais grupos precisam de atenção especial nos blocos?
Grupos como crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas precisam de cuidado redobrado. “Para esses casos, é fundamental reforçar a hidratação, fazer pausas e procurar atendimento ao menor sinal de mal-estar”, conclui Dr. Carlos Lacerda.
No caso das crianças, os cuidados devem ser reforçados. A recomendação é oferecer água com frequência, evitar alimentos expostos ao calor e optar por fantasias seguras, sem acessórios que possam causar acidentes.
Pulseiras de identificação com nome e telefone dos responsáveis ajudam em situações de desencontro. Também é importante respeitar os limites da criança, evitar longos períodos sob o sol e manter a vacinação em dia.
Banheiro químico pode causar contaminação se não houver cuidado

Comuns em blocos e eventos de rua, os banheiros químicos ajudam os foliões durante a festa, mas exigem atenção à higiene. O biólogo José Luiz Negrão Mucci , da Faculdade de Saúde Pública da USP alerta que a limpeza nem sempre ocorre da forma adequada entre um uso e outro.
“O ideal é evitar tocar na bacia do banheiro químico e evitar sentar no vaso. Se precisar, a pessoa se equilibra, mas evita o contato”, orienta.
Segundo o especialista, o contato com superfícies contaminadas pode transmitir vírus e bactérias causadores de doenças diarreicas.
“A pessoa pode tocar na estrutura suja, levar a mão à boca e acabar se contaminando. Dependendo da intensidade, a diarreia pode levar a uma desidratação séria”, explica.
Para reduzir os riscos, a recomendação é higienizar as mãos após o uso, mesmo que seja com lenços umedecidos, e evitar tocar no rosto.
“Não dá para dizer para não usar o banheiro químico, porque ele ajuda quando a gente precisa. O cuidado está em não tocar e fazer a higiene depois”, conclui.
Camisinha e prevenção combinada são essenciais na folia
Além dos cuidados com o calor e a hidratação, a prevenção contra infecções sexualmente transmissíveis é essencial durante o Carnaval. O Ministério da Saúde reforça que o uso da camisinha é a principal forma de proteção contra HIV, sífilis, hepatites virais e outras ISTs.
A orientação é utilizar preservativo externo ou interno em todas as relações, inclusive com parceiros ocasionais. O ministério também destaca a importância da prevenção combinada, que reúne diferentes estratégias para reduzir os riscos de infecção.
Entre elas estão a PrEP, indicada para prevenir o HIV antes da relação, a PEP, usada após uma possível exposição, além da testagem regular e do tratamento adequado, que contribuem para interromper a cadeia de transmissão das infecções.
Camisinhas e informações sobre prevenção estão disponíveis gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde do SUS, permitindo que a folia aconteça com mais segurança e responsabilidade.