Yuri Guilherme Andrade Cassano, de 20 anos, deixou a Baixada Santista após a repercussão das mensagens em que cogitava estuprar uma colega de universidade. Segundo a defesa, ele e os pais passaram a receber ameaças de morte desde que o caso se tornou público e “não haveria condições de permanecer na região”.
Conforme apurado pelo VTV News, Yuri foi desligado do curso de Educação Física da Universidade Santa Cecília (Unisanta), em Santos, onde era calouro, após a divulgação de prints em que insinuava forçar uma relação sexual ao se sentir rejeitado. Antes, ele já havia sido suspenso preventivamente e impedido de frequentar a instituição.
Em nota encaminhada pelo advogado, o jovem afirma estar “profundamente arrependido” e descreve as conversas como uma “brincadeira de péssimo gosto”. Ele admite que o fato das mensagens terem sido enviadas em um grupo privado não justifica o teor das falas e declara assumir responsabilidade pelo que escreveu.
Defesa fala em ameaças
O advogado Fábio Bosquetti da Silva Costa disse que o estudante está “muito consternado” e teme as consequências do caso. “A indignação da sociedade é natural, diante do conteúdo das conversas, mas há pessoas, inclusive influenciadores, que ultrapassam o limite da indignação e adentram o Código Penal”, declarou.
A defesa informou ainda que avalia registrar boletim de ocorrência (BO) em razão das ameaças recebidas pela família. Em posicionamento digitado, Yuri pediu “desculpas à comunidade de Santos” e afirmou ter consciência de que “palavras têm peso, têm impacto e podem ferir, independentemente da intenção original”.
O que aconteceu?
A vítima, que não será identificada, conversou com o repórter Pietro Falbuon, da VTV SBT, e contou que conheceu o investigado durante um evento de Carnaval, no último dia 16. Após uma brincadeira em que o jovem precisava escolher alguém para beijar, os dois trocaram contatos e passaram a conversar.
Com o tempo, no entanto, a universitária disse que perdeu o interesse nas investidas, mas o rapaz não teria aceitado o afastamento. Ao sentir que estava sendo ignorado, ele passou a fazer comentários ofensivos direcionados à jovem. Parte das mensagens veio a público nas redes sociais (veja abaixo).


As mensagens foram enviadas na última quinta-feira (27), em um grupo com outros oito estudantes. Prints obtidos pela reportagem mostram ameaças de puxar o cabelo da jovem “até arrancar os fios”, chutá-la em uma festa universitária e deixá-la cega. Depois da repercussão, ele afirmou que tudo não passava de “zoação”.
Reação
Após as mensagens serem amplamente compartilhadas nas redes sociais, o jovem procurou um amigo para perguntar “por que os caras estão contra ele” e o motivo de ter sido removido do grupo. Ele admitiu ter cometido um “erro”, mas afirmou que poderia “resolver a situação” e “melhorar” para “serem amigos”.
Em seguida, sugeriu que a vítima teria exagerado e alegou que ela também teria feito comentários negativos a seu respeito. Em outro momento, reconheceu que chegou a mencionar a possibilidade de manter relação sexual, mas disse que não falou em agressão física. Sustentou ainda que estava “brincando” e que “não foi o único”.



Um dos estudantes que estavam no grupo, ao tomar conhecimento das mensagens, denunciou o caso ao coordenador do curso, que encaminhou o material à direção da universidade no mesmo dia. “No primeiro minuto, a universidade começou a tomar providências”, afirmou Líviah Silva, mãe do jovem denunciante.
Investigação
O repórter Pietro Falbuon, da VTV SBT, apurou junto à Polícia Civil que será instaurado um inquérito para reforçar a apuração e reunir mais provas. “A vítima foi ouvida, a genitora foi ouvida, e agora vamos garantir o direito de o suspeito ser ouvido, assim como todos os rapazes que receberam as informações por parte dele”, afirmou a delegada Déborah Lázaro, responsável pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Santos.
Segundo a delegada, o caso é investigado inicialmente como ameaça. No entanto, após a oitiva dos envolvidos – incluindo o suspeito, Yuri – outros crimes podem ser identificados, especialmente porque a vítima foi ofendida e teve o número de telefone divulgado nas redes sociais. A jovem e a mãe registraram boletim de ocorrência (BO), posteriormente reforçado pela DDM, na segunda-feira (2).
O que diz a universidade?
Inicialmente, no domingo (1º), a universidade informou, em nota, que havia instaurado um procedimento interno para apurar os fatos. Na ocasião, Yuri foi formalmente impedido de frequentar as dependências da instituição e de participar de qualquer atividade acadêmica enquanto as investigações estavam em andamento.
Já na tarde desta segunda-feira (2), a instituição confirmou, com apoio da associação atlética do curso, o desligamento do estudante. Leia a nota na íntegra abaixo:
“Em relação ao caso envolvendo prints de mensagens de WhatsApp, informamos que, após intimação formal da universidade e suspensão preventiva, o jovem em questão não integra mais o quadro de alunos da Instituição.
A Universidade trata todo e qualquer caso de violência com a máxima seriedade, repudia veementemente condutas que representem desrespeito ou violação à dignidade da comunidade acadêmica e reforça que não compactua com comportamentos incompatíveis com seus valores e princípios institucionais”.
Antes da decisão, outros universitários se mobilizaram e criaram um abaixo-assinado pedindo a expulsão dele da instituição. A iniciativa reuniu mais de 1.800 assinaturas.
Posicionamento
Após a repercussão das mensagens, Yuri publicou um vídeo nas redes sociais, admitindo ter tido uma “atitude horrível”. No posicionamento, ele classificou o comportamento como “coisa de moleque” e afirmou estar arrependido. Também disse que pediu desculpas à colega e a outros alunos da faculdade.
“Quem me conhece sabe que eu nunca fui assim, nunca tratei ninguém dessa forma. Eu não tenho o que dizer, eu errei muito e já me retratei, mesmo que indiretamente, mas queria deixar claro que estou arrependido”.
Ele foi procurado, mas não se manifestou diretamente à reportagem. O advogado dele, porém, encaminhou um posicionamento escrito pelo próprio, após ele deixar a universidade e o litoral de São Paulo. Leia abaixo:
“Escrevo esta nota como um ser humano que reconhece ter cometido um erro grave e profundamente infeliz.
Recentemente, mensagens de minha autoria em um grupo fechado de WhatsApp foram tornadas públicas. Gostaria de dizer, de forma clara e direta, que sinto muito. Peço sinceras desculpas a toda a sociedade e, em especial, à comunidade da cidade de Santos.
É importante registrar que já procurei a mulher diretamente afetada por minhas palavras para pedir perdão. Reconheço que o que foi escrito ali nada mais foi do que uma “brincadeira” de péssimo gosto, horrível e totalmente sem critérios. No entanto, tenho plena consciência de que o ambiente privado de um grupo não justifica, em hipótese alguma, o conteúdo do que foi dito. Palavras têm peso, têm impacto e podem ferir, independentemente da intenção original.
Lamento o ocorrido, estou sofrendo as consequências dos meus atos e peço que a indignação da sociedade não se reflita na minha família, que não é responsável por eles e repudiou de forma cabal a minha atitude.
Este é um momento de profunda reflexão e aprendizado pessoal. Assumo total responsabilidade pelos meus atos e estou comprometido em evoluir para que episódios como este jamais se repitam”.
Como denunciar casos de violência contra a mulher
- Disque 190 – Polícia Militar
- Disque 180 – Polícia Militar – Central de Atendimento à Mulher
- Disque 181 – Disk Denúncia
- Delegacias de Defesa da Mulher – https://www.spportodas.sp.gov.br/sp-por-todas/seguranca_mulher/delegacias_da_mulher
- Delegacia Eletrônica da Polícia Civil – delegaciaeletronica.policiacivil.sp.gov.br/ssp
- Atendimento presencial em delegacias da polícia e salas DDM Online – https://prefeitura.sp.gov.br/web/direitos_humanos/w/mulheres/rede_de_atendimento/2096