O jovem que ameaçou estuprar uma universitária após se sentir “rejeitado”, em Santos, no litoral de São Paulo, não deve negar o que disse, segundo o advogado de defesa. O representante de Yuri Guilherme Cassano, de 20 anos, afirmou ao VTV News que a estratégia será discutir qual crime será atribuído a ele pela Justiça.
Como noticiado anteriormente, Yuri era calouro de Educação Física em uma universidade particular e conheceu a vítima em fevereiro, durante um bloco de carnaval na cidade. Os dois chegaram a manter contato, mas a jovem deixou de corresponder às investidas amorosas e passou a ser alvo de ofensas por aplicativo de mensagens.
Em uma das mensagens às quais a reportagem teve acesso, o investigado afirma que a jovem seria estuprada caso não aceitasse manter relações com ele. O conteúdo foi enviado em um grupo com outros oito calouros e denunciado à coordenação do campus, além de repercutir ampla e negativamente nas redes sociais.
Como o caso será tratado pela Justiça
De acordo com o advogado Fábio Bosquetti, o próprio estudante admitiu o conteúdo das mensagens ao publicar um vídeo pedindo desculpas. “Agora é ver se o Ministério Público irá manter o enquadramento feito pela autoridade policial e trabalhar para uma transação penal, se couber, ou uma prisão domiciliar”, disse.
O caso foi registrado como ameaça, injúria e violência doméstica. Além de Yuri, os outros jovens que estavam no grupo também devem prestar depoimento – o que ainda não ocorreu, conforme apurado junto à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). Enquanto isso, ele cumpre medida protetiva imposta pela Justiça.
O VTV News procurou o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) para obter mais informações, mas o órgão informou em nota que o caso tramita sob segredo de Justiça e, por isso, não pode confirmar os detalhes. Já a vítima optou por não se manifestar, mas o espaço segue aberto e o texto poderá ser atualizado.
Pedido de desculpas
As ameaças começaram a circular no dia 27 de fevereiro, após a vítima expor, em um perfil restrito nas redes sociais, que estava sendo perseguida porque, segundo ela, Yuri não aceitou a recusa de um relacionamento sério e passou a difamá-la entre amigos. O caso foi compartilhado por centenas de outros estudantes.
Ao tomar conhecimento da revolta, Yuri gravou um vídeo admitindo a “atitude horrível”, classificando o comportamento como “coisa de moleque” e alegando arrependimento. No entanto, mensagens obtidas pelo VTV News mostram que Yuri minimizou as queixas da vítima, afirmando que estava apenas “zoando”.



Desligado da universidade
Diante das denúncias, a universidade instaurou um procedimento interno de investigação e, no último dia 2 de março, confirmou o desligamento do aluno, realizado em comum acordo. Em nota pública, o campus reiterou que repudia qualquer forma de violência ou violação à dignidade da comunidade acadêmica.
Paralelamente, um abaixo-assinado organizado por estudantes pedindo a expulsão de Yuri alcançou mais de 2 mil assinaturas. Na ocasião, o jovem foi procurado pela reportagem, mas não retornou as tentativas de contato.
Como denunciar casos de violência contra a mulher
- Disque 190 – Polícia Militar
- Disque 180 – Polícia Militar – Central de Atendimento à Mulher
- Disque 181 – Disk Denúncia
- Delegacias de Defesa da Mulher – https://www.spportodas.sp.gov.br/sp-por-todas/seguranca_mulher/delegacias_da_mulher
- Delegacia Eletrônica da Polícia Civil – delegaciaeletronica.policiacivil.sp.gov.br/ssp
- Atendimento presencial em delegacias da polícia e salas DDM Online – https://prefeitura.sp.gov.br/web/direitos_humanos/w/mulheres/rede_de_atendimento/2096