Após uma mulher de 36 anos denunciar ter sido agredida por enfermeiros em uma unidade de saúde de Itanhaém, a Prefeitura informou, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, que “abriu uma investigação para apurar a veracidade dos fatos”. O comunicado foi feito ao VTV News na tarde desta segunda-feira (26).
Segundo Camila Souza de Araújo, que estava na cidade para visitar a mãe, ela procurou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Belas Artes na noite da última sexta-feira (23), após sentir dores intensas causadas pela endometriose – doença ginecológica crônica. Ela, porém, teria sido “tratada como lixo” durante o atendimento.
Camila afirma que, ao ser levada para a sala de atendimento, quatro profissionais entraram no local. “Eram dois homens e duas mulheres, todos enfermeiros. Eles estavam conversando, rindo e mexendo no celular”, relatou. Diante da suposta demora e das fortes dores, ela disse que gritou por ajuda, mas não obteve ajuda imediata.
Sequência de agressões
Segundo a vítima, quando uma das enfermeiras finalmente se aproximou para iniciar o atendimento, ela se recusou a continuar a medicação diante do “cenário de indiferença”. Ao tentar se apoiar no suporte do soro, o equipamento caiu e, conforme a denúncia, a profissional a empurrou, dando início às agressões.
A paciente relata que foi atingida com um soco no rosto por um dos homens e que uma das mulheres teria subido sobre sua barriga, mesmo ciente de seu diagnóstico de endometriose. Afirma ainda que o marido, ao tentar defendê-la, foi contido com um “mata-leão” e perdeu a consciência durante a ação.
“Isso é um espancamento. Quatro pessoas fazerem isso com um ser humano não é normal. Eu estou com marcas no rosto, na boca e no nariz. Isso é covardia, pior que covardia”, afirmou. A vítima nega ter tido qualquer surto psicológico e acredita que, mesmo assim, as agressões não se enquadram em protocolos de contenção.
‘Pânico de hospital’
Conforme o relato, a Polícia Militar (PM) foi acionada e compareceu à unidade, mas não houve resolução imediata da ocorrência. “A polícia ficou conversando com os profissionais da UPA. Parecia que eles se conheciam. Eu e meus familiares ficamos esperando, até que todo mundo fosse encaminhado para a delegacia”, afirmou.
Camila também informou que um boletim de ocorrência (BO) foi registrado. Após o ocorrido, ela e o marido retornaram à Capital, onde moram, para realização do exame de corpo de delito nesta segunda-feira (26). Procurada, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP) informou que, até o momento, não há registros oficiais.
A paciente afirma estar emocionalmente abalada e diz ter desenvolvido pânico de ambientes hospitalares. “Eu estou me sentindo acabada. Estou com pânico de hospital”, relatou. Diagnosticada com endometriose há três anos, Camila passou por cirurgia há quase dois anos e aguarda nova intervenção diante do avanço da doença.
O que é endometriose?
Segundo o Ministério da Saúde, a endometriose é uma condição ginecológica crônica em que células semelhantes às que revestem o útero crescem em outras partes do corpo, como ovários, trompas, bexiga ou intestino. Esse tecido fora do útero responde às variações hormonais do ciclo menstrual e pode causar inflamação, dor intensa e formação de aderências, afetando a qualidade de vida da pessoa acometida.
Os sintomas mais comuns incluem cólicas menstruais severas, dor pélvica crônica, dor durante relações sexuais e dificuldades para engravidar, além de desconforto intestinal e urinário com padrão cíclico ligado ao ciclo menstrual. O diagnóstico pode ser desafiador e costuma envolver avaliação clínica e exames de imagem, e o tratamento pode ser clínico ou cirúrgico, conforme o quadro e indicação médica. Saiba mais abaixo: