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Câmara inicia tramitação da PEC que propõe redução da jornada e fim da 6×1

Texto prevê descanso semanal de dois dias e limite de 36 horas semanais; regra não altera salários e será implantada de forma gradual
Câmara dos Deputados vota isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil (Fotos: Júlio Dutra)

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou nesta segunda-feira (9) à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a Proposta de Emenda à Constituição que trata da redução da carga horária semanal de trabalho e da extinção da escala 6×1. A medida unifica proposições da deputada Érika Hilton (PSOL-SP) e do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e marca o início formal da tramitação do tema na Casa.

A proposta estabelece uma transição gradual que culmina na adoção de 36 horas semanais de trabalho, com dois dias consecutivos de descanso — preferencialmente aos sábados e domingos.

Hoje, a jornada padrão é de 44 horas semanais, com um único dia de folga. A proposta aprovada na CCJ do Senado em dezembro passado, com relatoria do senador Rogério Carvalho (PT-SE), é a PEC 148/2015, que precisa ainda ser votada duas vezes no Plenário do Senado e, em seguida, na Câmara, com aprovação mínima de 49 senadores e 308 deputados em cada turno.

“É uma pauta histórica da classe trabalhadora, que precisa ser debatida com responsabilidade, ouvindo todos os setores e considerando os impactos na economia”, afirmou Motta.

Como será a transição

  • Segundo o texto da PEC, no ano de promulgação as regras atuais permanecem inalteradas. A partir do ano seguinte, os trabalhadores passam a ter dois dias de descanso semanal, e a jornada começa a ser reduzida de forma escalonada até alcançar, em seis anos, o novo padrão de 36 horas por semana.

  • O limite diário de oito horas continuará valendo, mas novas formas de distribuição poderão ser pactuadas em acordo coletivo.

  • Entre os exemplos citados no relatório estão expedientes de oito horas de segunda a quinta e quatro horas na sexta, ou uma divisão uniforme de sete horas e doze minutos ao longo dos cinco dias úteis.

A proposta mantém a possibilidade de compensação de jornada e acordos coletivos, nos moldes do que já prevê a Constituição, mas veda reduções salariais para compensar os dois dias de descanso.

Quem será beneficiado

De acordo com levantamento da Unicamp citado na justificativa da proposta, os trabalhadores contratados pela CLT — cerca de 37% da população ocupada em 2024 — seriam diretamente beneficiados. Também estarão incluídos os servidores públicos, empregadas domésticas, trabalhadores portuários e trabalhadores avulsos.

Já os profissionais contratados como pessoas jurídicas e os informais não terão direito automático, mas a proposta prevê que a nova referência de jornada poderá estabelecer um padrão no mercado de trabalho para esses segmentos.

Infográfico explicativo sobre a PEC da redução da jornada de trabalho 6x1 em tramitação na Câmara dos Deputados.
Imagem: Reprodução / Agência Senado

Reação e debate econômico

A tramitação ocorre em meio a críticas de setores que apontam riscos para a sustentabilidade financeira das empresas, especialmente as de menor porte. Durante a votação na CCJ, o senador Izalci Lucas (PL-DF) alertou para o impacto econômico da proposta.

“O que custa isso? Quem é que paga essa conta? Acho que essas pessoas não fazem conta, acham que o dinheiro só cai do céu. Eu fico imaginando as pequenas empresas, que têm um, dois funcionários”, declarou em Plenário.

Com o despacho da presidência da Câmara à CCJ, caberá agora ao colegiado avaliar a admissibilidade da proposta. Se aprovada, será criada uma Comissão Especial para debater o mérito do texto antes que ele siga ao Plenário da Câmara.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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