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Moraes vota para condenar irmãos Brazão pelo assassinato de Marielle Franco

Relator no STF afirma que crime teve motivação política e foi atravessado por misoginia e racismo; Primeira Turma julga cinco réus nesta quarta-feira
Ministro Alexandre de Moraes (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta quarta-feira (25) pela condenação dos irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão, apontados como mandantes do homicídio da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, além da tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves, em março de 2018.

Relator do caso, Moraes afirmou que o assassinato “misturou questão política com misoginia e racismo” e destacou que o crime buscava enviar um recado. Segundo ele, a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) sustenta que o então deputado Marcelo Freixo era visto como alvo inicial, mas a execução teria sido redirecionada.

“Se pretendia dar um recado. Num primeiro momento, alguém que se procurava exterminar era o deputado [Marcelo] Freixo. Em virtude da própria segurança que compunha as proximidades do deputado Freixo, seria mais difícil essa execução. E aí, se misturou questão política com misoginia e racismo. Marielle era uma mulher preta e pobre que estava, diríamos no popular, ‘peitando’ os interesses de milicianos”, declarou.

Réus e estrutura da acusação

A Primeira Turma do STF julga cinco acusados: os irmãos Brazão, o delegado Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio, e os ex-policiais militares Ronald Paulo de Alves Pereira e Robson Calixto Fonseca, conhecido como Peixe. Domingos Brazão é conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ); Chiquinho Brazão exerceu mandato de deputado federal.

Moraes citou trechos da delação do ex-policial militar Ronnie Lessa, condenado a mais de 78 anos de prisão pelas mortes. Ao ler parte da colaboração, o ministro afirmou que Marielle teria se tornado obstáculo para interesses ligados a milícias que atuavam com loteamentos irregulares.

“‘Ela ia combater os loteamentos da milícia. Onde fosse de milícia, ela ia bater de frente. Ela virou uma pedra no caminho. E a pedra, temos de tirar do caminho. A partir desse momento, ela está decretada’. Obviamente, na linguagem miliciana, da bandidagem, ‘ela está decretada’ significa que a morte dela estava encomendada e seria realizada”, disse.

Ministro Alexandre de Moraes vota no STF pela condenação dos irmãos Brazão como mandantes do caso Marielle Franco.
Moraes vota para condenar irmãos Brazão por mandantes do assassinato de Marielle Franco (Foto: Gustavo Moreno/STF)

Provas e pagamento vinculado a loteamentos

O relator ressaltou que, conforme a PGR, a delação de Lessa não se sustenta de forma isolada. Segundo ele, o conjunto probatório inclui elementos colhidos pela Polícia Federal (PF) e depoimentos submetidos ao contraditório. O ministro também indicou conexão entre a motivação do crime e a promessa de pagamento aos executores, que envolveria áreas obtidas por meio de grilagem na região de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.

“Totalmente interligadas”, afirmou Moraes ao se referir à motivação e ao modelo de compensação.

“Motivação e manutenção de negócios da milícia de loteamento e grilagem. Como vai se pagar? ‘Vamos tirar esse obstáculo político da Câmara dos Vereadores. Vamos conseguir ampliar a área [grilada e loteada]. E parte dessa área será dada em pagamento’. Aqui, realmente há total conexão entre a forma de pagamento e a motivação do crime”, acrescentou.

O ministro ainda mencionou a morte de Edmilson da Silva, o Macalé, apontado como intermediador da contratação do executor. Para Moraes, o episódio se enquadra como “tradicional queima de arquivo”. “Foi executado. Não teve infarto, não tropeçou na rua, bateu a cabeça e morreu. Se assassinado não tivesse sido, seria provavelmente réu nessa ação”, afirmou.

O julgamento prossegue com os votos dos demais ministros da Primeira Turma.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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