Rebeca Andrade explicou impactos da escala 6×1. A especialista participou do podcast Tudo Pode, da VTV, para esclarecer como empresas podem se preparar para possíveis mudanças na jornada de trabalho.
Durante a entrevista, ela explicou os desafios para empresários, abordou a pejotização e destacou a importância do planejamento jurídico para reduzir riscos.
Rebeca Andrade analisa mudanças na escala 6×1
A advogada Rebeca Andrade afirmou que uma eventual redução da jornada semanal exigirá organização das empresas, mas não significa, necessariamente, aumento de custos.
Segundo ela, o planejamento antecipado permite reorganizar equipes e jornadas antes da entrada em vigor de uma nova legislação.
“Não necessariamente isso vai gerar um aumento de caixa. Se houver organização junto ao setor jurídico, é possível reorganizar a empresa sem aumentar os custos.”
A especialista explicou que empresas de diferentes segmentos podem adotar escalas mais eficientes, respeitando a legislação trabalhista e as convenções coletivas.
Ela ressaltou que cada negócio possui uma realidade diferente. Por isso, o planejamento deve considerar o número de funcionários, o sindicato da categoria e a rotina operacional.
Como empresários podem se preparar
Durante o podcast, Rebeca Andrade destacou que muitos clientes já iniciaram estudos para adaptar suas operações.
Segundo ela, aguardar a aprovação definitiva da legislação pode dificultar a implementação das mudanças.
“Nós já estamos antecipando esse trabalho com nossos clientes para evitar problemas quando a lei entrar em vigor.”
A advogada explicou que empresas maiores enfrentam desafios ainda maiores para reorganizar escalas em pouco tempo.
Ela também destacou que um remanejamento interno pode reduzir a necessidade de novas contratações.
Rebeca Andrade fala sobre produtividade
Outro tema abordado foi a relação entre redução da jornada e produtividade.
Segundo a especialista, estudos realizados em diferentes países mostram que jornadas menores podem aumentar o engajamento dos colaboradores.
Ela citou pesquisas sobre semanas de trabalho reduzidas, que apontam melhora no bem-estar e no desempenho das equipes.
Um dos levantamentos mais conhecidos foi conduzido pela organização 4 Day Week Global, em parceria com pesquisadores da Universidade de Boston e da Universidade de Cambridge.
“Quando o colaborador trabalha menos, ele tende a ter mais saúde mental e maior produtividade.”
Rebeca também lembrou que a qualidade de vida influencia diretamente os resultados das empresas.
NR-1 e saúde mental nas empresas
A entrevista também abordou a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), publicada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, que amplia a atenção aos riscos psicossociais no ambiente corporativo.
Segundo a advogada, investir em um ambiente saudável reduz conflitos internos e pode diminuir afastamentos relacionados à saúde mental.
“Se você não cuida bem do seu colaborador, isso volta contra a empresa.”
Ela explicou que ações simples, como programas internos de bem-estar e desenvolvimento de lideranças, podem contribuir para um ambiente mais produtivo.
Pejotização exige cuidados jurídicos
Rebeca Andrade também comentou o crescimento da contratação de profissionais como pessoa jurídica.
Segundo ela, o modelo pode ser adotado com segurança, desde que a empresa respeite as diferenças entre um prestador de serviços e um empregado contratado pela CLT.
A advogada alertou que um contrato, sozinho, não elimina riscos.
“O contrato e a prática do dia a dia precisam caminhar juntos.”
Ela explicou que situações como controle de jornada, subordinação e exclusividade podem caracterizar vínculo empregatício, mesmo quando existe um contrato de prestação de serviços.
Durante o podcast, Rebeca reforçou que a consultoria jurídica preventiva ajuda empresários a reduzir passivos trabalhistas e adaptar seus processos às exigências legais.
Foto principal: Marcelo Camargo/Agência Brasil