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Eleições 2026: veja o que candidatos à Presidência propõem para salário mínimo e aposentadoria

Presidenciáveis apresentam planos diferentes para reajustes, benefícios do INSS e regras da Previdência
Uma Carteira de Trabalho e Previdência Social azul do Brasil pousada numa mesa de madeira, ao lado de notas de 100, 50 e 20 reais e moedas brasileiras. Ao fundo, vê-se uma urna eletrônica a exibir a mensagem ELEIÇÕES 2026 e a bandeira do Brasil desfocada.

Eleições 2026 colocam o salário mínimo e a aposentadoria entre os temas econômicos discutidos pelos candidatos à Presidência. Os planos de governo apresentam propostas diferentes para o reajuste do piso nacional, a correção dos benefícios previdenciários, a idade mínima e o futuro da Previdência Social.

A discussão ocorre em um cenário de aumento das despesas com aposentadorias e outros benefícios. Segundo o Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), os gastos com a Previdência devem chegar a R$ 1,218 trilhão em 2027, alta de 7,92% em relação à previsão para 2026.

Entre os principais pontos dos programas estão a manutenção da atual regra de valorização do salário mínimo, propostas de aumento acima da inflação, mudanças na vinculação dos benefícios ao piso nacional e a realização de uma nova reforma da Previdência.

Como funciona o reajuste do salário mínimo

A atual regra de valorização do salário mínimo considera a inflação e o crescimento da economia de dois anos antes. O modelo permite um ganho real, ou seja, um reajuste acima da inflação.

Existe, porém, uma trava que limita o crescimento real a 2,5%. Quando não há crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), o reajuste considera apenas a inflação.

A regra também tem impacto sobre aposentadorias e benefícios previdenciários vinculados ao salário mínimo.

Por isso, mudanças na fórmula de correção do piso nacional podem afetar diretamente aposentados, pensionistas e beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Lula (PT)

Fotografia em plano aproximado do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, um homem idoso de pele clara, cabelos e barba grisalhos. Ele sorri para a câmara enquanto segura com a mão direita a aba de um chapéu claro que traz na cabeça. Veste uma camisa azul clara sobre um fundo desfocado.
Foto: @lulaoficial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, propõe manter a atual regra de reajuste do salário mínimo com aumentos reais.

A proposta contempla trabalhadores, aposentados e beneficiários do BPC.

Na Previdência, Lula pretende diversificar as fontes de custeio para reestruturar a base de financiamento do sistema. O plano também prevê a regulamentação da contribuição previdenciária para trabalhadores que atuam por meio de aplicativos.

Outra proposta é ampliar o acesso à Previdência Social.

O plano de governo registrado na Justiça Eleitoral não apresenta mudanças no cálculo dos benefícios previdenciários nem do salário mínimo.

Flávio Bolsonaro (PL)

Retrato em plano aproximado (close-up) de Flávio Bolsonaro a sorrir, com um fundo azul onde se vislumbram, de forma subtil, outras imagens em sobreposição.
Foto: @flaviobolsonaro

Flávio Bolsonaro (PL) propõe a digitalização dos processos da Previdência e uma gestão profissional, sem interferência de entidades sindicais.

Entre as medidas apresentadas estão um pacote antifraude na Previdência e a proteção dos fundos de pensão das estatais contra indicações políticas.

O plano também menciona uma ampla revisão de normas infralegais, incluindo questões relacionadas à Previdência.

O candidato ainda propõe a redução de pelo menos 10 ministérios, de cargos comissionados e de despesas administrativas, além do combate a penduricalhos e supersalários.

Em entrevista à Globo, Flávio Bolsonaro foi questionado sobre a manutenção da vinculação das aposentadorias e dos benefícios previdenciários ao salário mínimo.

O candidato não esclareceu se pretende manter a regra, mas afirmou que não pretende fazer economia “em cima dos aposentados”.

Augusto Cury (Avante)

Fotografia em plano médio do médico, psiquiatra e escritor brasileiro Augusto Cury. Trata-se de um homem de meia-idade, com cabelos escuros, óculos de armação fina e um leve sorriso. Veste um fato escuro com camisa branca e gravata azul-escura. Encontra-se sentado diante de um microfone num painel ou conferência, com um fundo azul onde se lê repetidamente a palavra "LIDE" em letras brancas.
Foto: @avante70

O plano de governo de Augusto Cury (Avante) não apresenta propostas específicas de desindexação ou mudanças no cálculo dos benefícios previdenciários e do salário mínimo.

Em entrevista à Globo, porém, Cury afirmou que pretende garantir a reposição da inflação mais 1% ao ano para o salário mínimo.

Segundo o candidato, a proposta poderia resultar em um aumento acumulado de aproximadamente 50% a 60% em quatro anos, considerando juros compostos.

Ronaldo Caiado (PSD)

Fotografia do político brasileiro Ronaldo Caiado, com cabelo branco e fato azul, a falar ao microfone num evento iluminado em tons de roxo.
Foto: @ronaldocaiado

O plano de governo de Ronaldo Caiado (PSD) não apresenta mudanças específicas na forma de reajuste do salário mínimo ou dos benefícios previdenciários.

Em entrevista à Globo, o candidato afirmou que pretende manter a regra atual de reajuste do piso nacional, que considera a inflação e o crescimento da economia.

Caiado também declarou que aposentados e trabalhadores que recebem o salário mínimo não deveriam ser atingidos por medidas de contenção de gastos.

Questionado sobre um possível aumento da idade mínima para aposentadoria, o candidato não respondeu claramente.

Renan Santos (Missão)

Fotografia de Renan Santos de fato azul e gravata amarela, de braços abertos num pódio a discursar num evento político, com um painel ao fundo e plateia em primeiro plano.
Foto: @renansantosmbl

Renan Santos (Missão) propõe uma PEC do Equilíbrio Fiscal para reduzir despesas do governo.

Entre as medidas está a desindexação dos benefícios previdenciários e assistenciais do salário mínimo. Pela proposta, os pagamentos passariam a ser corrigidos exclusivamente pela inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

O candidato também defende uma nova reforma da Previdência.

Em entrevista à Globo, Renan Santos afirmou que será necessário fazer outra reforma da Previdência e disse que não pretende “fazer política” com o salário mínimo.

Romeu Zema (Novo)

Romeu Zema, de cabelos grisalhos, óculos e camisa terracota, fala e gesticula com a mão direita em um ambiente ao ar livre com iluminação natural.
Foto: @romeuzemaoficial

Romeu Zema (Novo) propõe uma reforma da Previdência que envolveria União, estados, municípios, previdência rural e militar.

Para as aposentadorias, o candidato defende a criação de um mecanismo de reajuste automático da idade mínima com base na evolução da expectativa de vida da população e na sustentabilidade do sistema no longo prazo.

Em entrevista à Globo, Zema afirmou que pretende garantir a reposição da inflação no salário mínimo, mas não se comprometeu com aumento real.

Samara Martins (UP)

Fotografia em plano médio de Samara Martins, mulher negra sorridente com cabelo afro volumoso, a erguer o punho fechado. Veste um casaco bege sobre camisola preta e brincos em formato de estrela.
Foto:@samaramartinsup

Samara Martins (UP) propõe um aumento imediato de 100% no salário mínimo, com a meta de alcançar o valor calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

O cálculo citado na proposta aponta para um salário mínimo necessário de R$ 7.565,86, segundo o valor informado para agosto.

A candidata também defende a valorização real permanente do salário mínimo acima da inflação.

Na Previdência, Samara propõe revogar as reformas da Previdência e trabalhista, além de reajustar os benefícios sem restrições fiscais.

O plano também prevê ampliar a cobertura previdenciária para trabalhadores informais e de aplicativos.

Clariana Barão (DC)

Retrato em plano aproximado de Clariana Barão, uma mulher de pele clara, olhos claros e cabelos loiros, liso e pelos ombros. Ela está a sorrir abertamente para a câmara e veste um casaco azul-escuro. O fundo apresenta tons gradientes de azul-claro, azul-escuro e branco.
Foto:@clarianabarao

O plano de governo de Clariana Barão (Democracia Cristã) não apresenta propostas específicas sobre desindexação ou mudanças no cálculo do salário mínimo e dos benefícios previdenciários.

Edmilson Costa (PCB)

Homem de pele clara, cabelos e barba grisalhos, com óculos de armação escura, identificado como o dirigente político Edmilson Costa. Ele veste uma t-shirt vermelha com a ilustração e a frase "DEFENDER A ALEGRIA ORGANIZAR A RAIVA", e está com o braço direito erguido com o punho fechado. Ao fundo, vê-se uma paisagem urbana com edifícios e uma rua.

Edmilson Costa (PCB) propõe recuperar o poder de compra do salário mínimo até alcançar, em quatro anos, o valor calculado pelo Dieese como necessário para atender às despesas básicas de uma família.

O candidato também defende a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até esse valor.

Na Previdência, Costa propõe revogar as reformas previdenciária e trabalhista, ampliar a Previdência pública para toda a população e recuperar perdas acumuladas por aposentados.

O plano também prevê a criação de um “Banco dos Trabalhadores” para administrar os fundos previdenciários.

Hertz Dias (PSTU)

Fotografia de busto de Hertz Dias, um homem negro de cabelo curto e escuro, a sorrir suavemente para a câmara. Usa óculos de armação grossa avermelhada e uma camisa escura com padrões florais/folhas em tom claro. Ao fundo, vê-se um painel branco com uma ilustração abstrata de conexões moleculares em tom azul.

Hertz Dias (PSTU) defende o aumento de 100% do salário mínimo, com a meta de alcançar o valor calculado pelo Dieese.

O candidato também propõe uma bolsa de um salário mínimo para desempregados e isenção de Imposto de Renda para quem recebe até 10 salários mínimos.

Na Previdência, Hertz Dias defende a revogação da reforma de 2019, a redução da idade mínima para aposentadoria, a valorização real dos benefícios e a ampliação da cobertura para trabalhadores informais.

Rui Costa Pimenta (PCO)

Fotografia de plano médio do político e jornalista brasileiro Rui Costa Pimenta. Ele é um homem de meia-idade, com cabelos curtos e escuros, barba grisalha e óculos de grau. Está sentado numa cadeira de escritório preta com os braços cruzados, vestindo uma camisa preta de manga curta com canetas no bolso. Ao fundo e em primeiro plano, veem-se estantes cheias de livros, criando um ambiente de biblioteca ou escritório de estudo.

Rui Costa Pimenta (PCO) defende um salário mínimo vital de pelo menos R$ 7.500, definido por organizações operárias.

A proposta também prevê uma escala móvel de salários, com reajustes automáticos quando a inflação atingir 3%.

Na Previdência, o candidato defende a revogação das reformas que afetaram trabalhadores e aposentados.

Ele também propõe aposentadoria integral após 25 anos de trabalho para mulheres e 30 anos para homens, além da reposição integral das perdas dos benefícios.

Wilson Grassi (Democrata)

Homem maduro de pele clara, identificado como Wilson Grassi Júnior — médico-veterinário, empresário e político —, com cabelos e barba grisalhos, vestindo um blazer azul-marinho sobre uma camisa preta. Encontra-se sentado numa poltrona de couro preta, num cenário de estúdio escuro com iluminação focada.

Wilson Grassi (Democrata) propõe que a faixa de isenção do Imposto de Renda acompanhe o ganho real do salário mínimo.

O candidato também defende que o piso do soldo dos militares das Forças Armadas seja fixado no valor do salário mínimo nacional.

Para as aposentadorias, Grassi propõe substituir a contribuição previdenciária patronal sobre a folha de pagamento pelo Imposto Único Federal.

Leonardo Avalanche (PRTB)

Foto de médio plano de Leonardo Avalanche sentado e olhando para a câmera. Ele veste um paletó azul-marinho sobre uma camisa preta e está posicionado em frente a uma estante verde-escura com livros e amostras de materiais.

Leonardo Avalanche (PRTB) não apresenta propostas específicas sobre o salário mínimo ou a Previdência Social.

O plano de governo, porém, menciona uma mudança na contribuição atualmente cobrada de empresas e trabalhadores para o INSS.

A proposta prevê a criação de um imposto único de 3,5%, que substituiria diversos tributos, entre eles a contribuição para o INSS.

O que os candidatos propõem para aposentadorias?

As propostas dos presidenciáveis para a aposentadoria também apresentam diferenças.

Enquanto alguns candidatos defendem a manutenção das regras atuais, outros propõem novas reformas, alterações na idade mínima ou mudanças na forma de correção dos benefícios.

A vinculação das aposentadorias ao salário mínimo aparece como um dos pontos de discussão. Uma eventual desindexação mudaria a forma como determinados benefícios acompanham a evolução do piso nacional.

Outro tema é o financiamento da Previdência. Os planos apresentam propostas que vão desde a diversificação das fontes de custeio até mudanças na estrutura de contribuição.

Despesas da Previdência entram no debate das Eleições 2026

O debate sobre salário mínimo e aposentadoria nas Eleições 2026 ocorre em meio à projeção de aumento das despesas previdenciárias.

De acordo com o CNPS, os gastos com aposentadorias e outros benefícios do INSS devem chegar a R$ 1,218 trilhão em 2027, segundo a previsão apresentada para o próximo ano.

O cenário coloca o financiamento da Previdência e o controle das despesas entre os temas econômicos discutidos pelos candidatos.

As propostas apresentadas pelos presidenciáveis vão desde a manutenção de aumentos reais do salário mínimo até mudanças na vinculação dos benefícios, novas reformas previdenciárias e alterações na idade mínima.

As diferenças entre os planos envolvem tanto o valor e a forma de reajuste do salário mínimo quanto as regras para aposentadorias e o financiamento da Previdência Social.

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Autor

  • Beatriz Biaggioni

    Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Comunicativa e curiosa, gosto de ouvir histórias, aprender com as pessoas e transformar isso em comunicação com sentido. Em constante crescimento, com olhar atento e vontade de fazer bem feito.

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