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STF suspende quebra de sigilo de amiga de Lulinha investigada pela CPMI do INSS

Decisão de Flávio Dino aponta falha na votação conjunta dos requerimentos e permite nova análise pela comissão
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, suspendeu nesta quarta-feira (4) a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Roberta Luchsinger, empresária investigada pela CPMI do INSS. Roberta é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A decisão atende parcialmente a um pedido de medida liminar da defesa, que alegou constrangimento ilegal após a comissão aprovar a medida no dia 26 de fevereiro. Na mesma data, a comissão aprovou a quebra do sigilo de Lulinha, gerando confusão entre parlamentares e pedidos de cancelamento da votação por parte de governistas — hipótese vetada por Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado.

Segundo o STF, a medida não vale para outros pedidos de quebra de sigilo da CPMI, como o de Fábio Luís.

Foi determinado por Dino que, caso as informações sigilosas já tenham sido enviadas, devem ser preservadas sob sigilo da Presidência do Senado Federal até o julgamento do mérito da ação.

Alegação de violação do processo constitucional

Na fundamentação da decisão, o relator destacou a violação do devido processo constitucional ao serem realizadas a aprovação de 87 requerimentos de forma conjunta, na chamada votação “em globo”.

Para o ministro, apesar de as CPIs terem poderes de autoridades judiciais, elas também estão sujeitas ao dever de fundamentação individualizada para cada medida invasiva. Flávio Dino ainda ressaltou que, embora a política tenha regras próprias, estas não podem se sobrepor à Constituição Federal, cabendo ao Judiciário garantir que as investigações não se tornem uma “fishing expedition” (pesca probatória) ou invasões desproporcionais à privacidade.

A impetrante é alvo da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal (PF) com o objetivo de apurar um esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas.

Não há impedimentos para novas deliberações

Mesmo com a suspensão da quebra do sigilo bancário de Roberta, não há impedimentos para que a CPMI realize uma nova deliberação sobre o caso.

O ministro acentuou que a comissão poderá realizar um novo procedimento, desde que cumpra os ritos de análise, debate e fundamentação individualizada para cada requerimento. Outro ponto ao qual chamou a atenção foi a falta de risco imediato à investigação, já que a investigada é monitorada pela Polícia Federal, sob supervisão do STF.


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Autor

  • Rayssa de Souza

    Estudante de Jornalismo com previsão de conclusão do curso em 2026. Desenvolveu uma iniciação científica na área de comunicação e direitos humanos, com ênfase na violência contra jornalistas brasileiros durante o governo Bolsonaro. Como estagiária no portal, alia o aprendizado acadêmico à prática do jornalismo digital, sempre com olhar atento para temas sociais e de relevância pública.

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